quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Poucas repetições – 27/02/2008
Conseguimos passar, ajustando a orquestra, até o fim do Haec Dies. Depois passamos tudo desde o começo, com poucas interrupções. Como eu disse, a orquestra está ficando cada dia mais esperta. Distribuí as partes da cantata BWV4 para uma leitura à primeira vista. Saímos tocando a sinfonia (que deu certo) e o versus 1 (onde muita gente se perdeu). Foi só para dar um gostinho.
ENSAIO DO CORO
Haec dies, cuidadosamente, quase até o final. Continuo não repetindo demais as partes. Os cantores têm que aprender a se virar. Estão todos se esforçando para chegar na hora. Medo da multa por atraso. Ótimo.
Sem reflexões ou versinhos por hoje.
Achando bonito ser feio – 26/02/2008
DEFEITOS EXTRA-MUSICAIS DE UM CANTOR DE CORO
Os defeitos musicais de um cantor todo mundo já sabe: desafinação, desimpostação, falhas rítmicas... Mas, e as falhas extra-musicais? O que é que me incomoda?
Ouvir indiretas, deboches, risadas, piadas... Normalmente, isso ocorre por algumas pessoas se acharem melhores do que as outras, mesmo que nem sejam.
Cantores imitando erros dos outros. Isso serve para quê?
Cantores reclamando de notas desafinadas sem indicar àquele que errou aonde o erro aconteceu, o que é o correto uma vez que ajuda o outro a se corrigir.
Cantores agindo como se fossem superiores ao resto do coro. Quem é superior de verdade acrescenta a humildade no topo todas as suas qualidades. Veja mais abaixo.
Cantores agindo como se estivessem carregando o naipe nas costas. Carregar o coro nas costas é o trabalho de TODOS os cantores. Ninguém erra por que quer.
Enfim, cantores agindo de maneiras que provocam desmotivação dos colegas. Que debochem dos colegas é coisa que não tem perdão. É infantilidade e ignorância. No mínimo desmotiva os colegas. Nos piores casos pode criar inimizades completamente desnecessárias.
Esse tipo de coisa conta negativamente na avaliação que estou fazendo.
Aliás, uma das coisas que farei nessa reorganização do coro é deixar "vagas em aberto". Se não houver gente suficiente com nível para o coro de câmara, por exemplo, os lugares ficarão vagos. Se não houver alguém digno de preencher alguma das vagas de solista, o lugar ficará vago. E não basta cantar como solista. As minhas expectativas são mais altas do que isso: tem que cantar bem e colaborar com os colegas, trabalhar para que o coro fique melhor.
A nossa luta não é só contra a desafinação.
QUALIDADES EXTRA-MUSICAIS DE UM CANTOR DE CORO
Temos todo tipo de pessoa no coro. As pessoas são diferentes, com qualidades e defeitos distribuídos desigualmente. Algumas cantam bem e são péssimas pessoas, outras são excelentes pessoas que não cantam tão bem. Todas são dignas de ajuda, atenção e chances de melhorar. Neste sentido, somos todos irmãos.
Mas, em diferentes momentos, em diferentes ambientes e situações, algumas pessoas são superiores às outras, sim. Elas reúnem um maior número de qualidades, e qualidades que são mais valorizadas naquele ambiente, naquela situação.
Alguém aí já se perguntou o que levou Venilton, por exemplo, a um patamar evidentemente superior aos outros cantores do coral?
Não foi apenas por cantar bem, pois outras pessoas cantam bem. Ele aprendeu a cantar bem e foi entender como isso funciona. Quando entendeu como isso funciona, foi aprender como se ensina. Quando aprendeu a ensinar, ele ensinou, de graça, de boa vontade, porque ama as pessoas e quer vê-las serem melhores amanhã do que são hoje. Talvez ele nem pense nestes termos. Não importa. Importa o que ele faz. Ele faz o bem.
E fez a mesma coisa quando os colegas não sabiam suas partes: ajudou. E continua ajudando.
E continua ficando sem graça quando eu o elogio. Porque jamais passou pela sua cabeça se vangloriar das coisas de que é capaz.
MAS NÃO SE ESQUEÇAM
Cantar bem continua sendo importantíssimo.
ACHANDO BONITO SER FEIO
(o versinho edificante do dia)
Um dia
eu achei bonito ser feio
e me comprazia nas pequenas maldades
que as pessoas fazem por diversão
um dia achei
que poderia ser docemente cruel
e ter a simpatia
que merecem
os humoristas bissextos
Até que um dia
alguém me perguntou
exatamente isto,
se eu achava bonito ser feio.
Quem pode achar?
Quem pode achar,
senão os cegos
de olhos vazados
pela bile,
senão os porcos
de vidas cercadas
pelas facas,
senão os tolos
que riem
enquanto caem o abismo
em legião?
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Limpando o arquivo – 25/02/2008
Luperci confirmou por email que virá fazer o solo de tenor na cantata BWV 65.
Caroline (do oboé) vai começar a trabalhar no Rio. Uma pena para nós. Não poderá tocar com o Anima no dia 2 de março e ainda não sabe ser poderá vir no concerto de 6 de abril. Fica uma esperança.
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Mandei as datas das missas na catedral para o padre Jac. Nem todas serão no primeiro domingo do mês. Querem anotar? Estão sujeitas a alterações, mas seguem abaixo:
2 de março
6 de abril
11 de maio
1º de junho
6 de julho
10 de agosto
7 de setembro
5 de outubro
2 de novembro
7 de dezembro
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Ensaio da orquestra:
Começamos pelo Benedictus de Schubert. Está ficando bonito.
Haec Dies. Fomos apenas até o solo de soprano, mas fomos limpando as coisas pelo caminho. A orquestra vem nitidamente crescendo em qualidade. É isso aí!
Ensaio coral:
Enquanto resolvia alguns problemas, Venilton passou o Credo do Schubert, tirando as últimas dúvidas sobre as partes.
Mais duas novas contraltos começaram a ensaiar conosco, como voluntárias : Zuleica (do Coral Municipal) e Juliana (que cantou conosco em Londrina).
Domingo padrão – 24-02-2008
Então, até amanhã.
Cantinho do céu – 23/02/2008
Wally estreou. É mais um presente que eu ganho no Anima.
O coro de câmara foi quase todo. Foi bom.
É um prazer ensaiar com o Anima. Astral bom, música boa, interesse em fazer as coisas certas, interesse em melhorar, em conhecer... As coisas funcionam bem e rápido.
Eu não preciso de muito para ser feliz. Neste sábado, o Anima foi um modesto cantinho do céu.
Cardápio:
Cantata BWV 65, Suíte 16 do Schein, Trio 11 de Telemann, Abertura 1808.
Não sejas demasiado justo – 22/02/08
Ensaio da orquestra: fizemos a Missa em Sol até o Sanctus. Passei logo para o Haec Dies. Fiz uma primeira leitura até o final, para dar uma idéia da obra para o pessoal. A maioria levou a partitura para estudar em casa. Essa é a coisa certa a fazer, sempre. Se cada um souber a sua parte, se cada um tiver a parte “embaixo do dedo”, o ensaio fica muito mais produtivo. Todos ganham.
O ensaio do coral me fez lembrar um versículo favorito do Eclesiástico:
"Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo?" (Ecl 7,16)
Ou, como disse o Padre Aguiar no meu primeiro dia de aula na UCP: é injustiça tratar igualmente os desiguais.
Alguns fazem tudo o que podem e mais alguma coisa; outros fazem o que têm que fazer; outros, nem isso. O que torna os melhores melhores e os piores piores? Não é só cantar. Mas é assunto para outra hora.
Avisei que vou mudar o esquema de cobrança dos atrasos, sem trancar mais a porta, mas cobrando imediatamente uma pequena multa de atraso.
Suíte 1808 – 21/02/2008
Ensaio do coro:
Resolvi deixar o Credo descansar um pouco e iniciar o Haec Dies, que também faremos no Concerto de Páscoa. Alguns já cantaram, inclusive as ex-canarinhas (estas na estréia, com o Vizani). Forcei um pouco a leitura dos cantores, passando poucas vezes. Tirando alguns poucos trechos, ele não é difícil de solfejar. Vale a pena lembrar aos cantores que a leitura é pré-requisito para subir de nível.
Fomos até o fim do baião!
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Novos músicos - 20/02/2008
Aliás, agora vamos ter mais um trompista na orquestra (Bruno). No ensaio apareceram também um novo clarinetista (Michel) e um novo violinista (Michel também!). Antes do ensaio fizemos uma limpeza nas pastas da orquestra, arquivando o material que não está mais em uso.
Com a orquestra ensaiei o Credo e o Gloria da missa em Sol, de Schubert. Apesar de alguns pequenos problemas, o som ficou bonito e a afinação boa. Fiquei bem satisfeito.
Com o coro, passei apenas o Credo. Uma passada superficial, apenas para o pessoal lembrar das partes, e depois fomos fazendo trecho por trecho, corrigindo notas e ajustando a interpretação. Bem satisfatório.
Engrenando a primeira - 19/02/2008
No concerto de Páscoa, farei outra cantata, a BWV 4 (própria desse tempo litúrgico), com o coral e orquestra. O material (partes cavadas) já está pronto.
O projeto de fazer uma cantata por mês exige muito planejamento para o Leandro poder digitar tudo no computador e eu poder editar tudo com bastante antecedência, inclusive com partes de cravo por extenso, não cifradas... Bastante trabalho para os próximos vinte anos.
Ensaio do coro. Começamos a estudar o Credo da missa em sol de Schubert. Conseguimos passar tudo. Amanhã tiraremos as dúvidas e seguiremos em frente.
Aula de composição para a Patrícia. Ela inventou um ostinato interessante para acompanhar sua melodia mixolídia. Ficou melhor que a melodia lídia. Sugeri musicar alguns pequenos poemas. Isso pode ajudar a direcionar as melodias.
VERSINHO
Tudo que escolhemos volta
sem vento
sem choro
ou maré
O que queremos, afinal?
Saber responder
é saber escolher,
é saber pisar na terra firme
entre tantos buracos e armadilhas.
Tudo que escolhemos volta
como os amigos pelas portas que abrimos
como a gordura das frituras que fazemos
Quanto vale teu ombro?
Quanto vale teu sopro?
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Posse do reitor - 18/02/2008
Manhã de lidar com burocracia e fazer o orçamento dos grupos para 2008.
Depois do almoço o Léo me pediu ajuda com sua tarefa de ciências, sobre buracos negros, planetas e estrelas. Adoro o assunto. Aliás, buracos negros são estrelas...hehe. Especiais, mas estrelas. Pesquisem. Fiquei de assistir com ele ao filme "Uma breve história do tempo". O livro eu já li. É curioso como a ciência acaba esbarrando na idéia de Deus...
Hora da missa de posse do novo reitor. D. Filippo, queria começar rigorosamente na hora. Alguns cantores se atrasaram e ficaram de fora.
PARÊNTESES: Quem pede para faltar às apresentações muitas vezes pensa, lá no fundo: tem tanta gente para cantar (ou tocar), eu não vou fazer falta. Se alguém pensa que sua presença não é importante, que sua ausência não vai fazer diferença, quem sou eu para discordar? Ausência em apresentações é falta gravíssima.
Bem... mas a música da missa foi muito boa. Tive a sensação de que todos se esforçaram para fazer o melhor. Houve silêncio e concentração nos grupos. Isso tem que acontecer sempre, não por medo de advertências ou multas, mas por respeito ao próprio trabalho, por orgulho profissional, para fazer bem feita sua tarefa. Vale para tudo na vida.
Depois da missa, aulas de harmonia vocal. Os alunos sempre reclamam da infinidade de regras. A melhor maneira de memorizá-las é fazer muitos exercícios, tirando as dúvidas sobre as regras nas páginas de texto. É preciso guardar as regras básicas e ir conferir as exceções no livro. Muitas vezes.
Algum filósofo grego disse: "Você é aquilo que faz com freqüência."
É isso.
VERSINHO MEIO SUJO:
Meu reino não é desse mundo
mas é a ele que eu pertenço
às marés de notícias
às enchentes de formulários
que me assombram
como vasos entupidos.
Domingão do Gastão - 17/02/2208
Fazer por mim,
Fazer por todos,
Fazer.
Entreter a água da vida,
Deixar escorrer o sol das piscinas,
Aguardar...
Aguardar não: deixar passar,
Entregar à vida
Meu pedaço,
Minha cota,
E receber a alegria em paz.
Sentir-me vivo
Sem precisar passar
Pela sombra da morte.
Fosse eu digno de louvar a Deus
Escreveria um salmo essa noite.
Buscando inspiração - 16/02/2008
Vamos começar a série das cantatas de Bach em março, com a BWV 65. É uma cantata para a Epifania, se não me engano. O ideal seria fazer uma cantata apropriada para o tempo litúrgico (estaremos na Quaresma), mas o mais importante agora é começar logo. Será no dia 2 de março, às 18h, no Salão Nobre. Divulguem.
No ensaio do Anima, passamos as partes instrumentais da cantata, a suíte 16 de Schein e trio 22 de Telemann. Lila agora está fixa como violoncelista no Anima. Ah: eu e Fred também passamos uma sonata para duas flautas do Benedetto Marcello. Podemos incluí-la no concerto.
Como a comemoração dos 200 anos da chegada da família real ao Brasil é no dia 7 de março, o pessoal do Anima sugeriu que eu componha algo para a ocasião. Pretendo fazer uma suíte barroca, à moda das do Telemann, que tocamos no ano passado. O tempo é muito curto. Vamos ver...
Ensaio geral - 15/02/2008
Boa notícia: a Wally Borghoff virá tocar conosco no Anima. Com ela tocando o contínuo eu fico livre para reger.
Recomendo um vídeo do youtube cuja recomendação encontrei no blog do Reinaldo Azevedo: Hitler e os cartões corporativos ( http://br.youtube.com/watch?v=kRiRKKO8HvU ). Vale a pena assistir.
Recebi email do Gilberto Bittencourt, dando sinal de vida e mandando um vídeo do coro infantil que ele formou
Escrevi e remeti uma versão "resumida" do Bolero de Ravel para a Jaqueline.
Paulo Chanan pretende fazer em Londrina meu Benedicat Vobis e meu arranjo da Ave Maria de Gounod. Já mandei as partituras.
Voltei a trabalhar no programa do próximo concerto do Anima. Mandei umas suítes do Schein para o Leandro digitar no Sibelius, para que eu possa adaptá-las ao conjunto.
16h, ensaio da orquestra. Fizemos o Ecce Sacerdos (probleminhas nos clarinetes...) e os cantos populares. "Glória a Cristo" e "Sabes, Senhor", tiveram sua primeira leitura. Um pouco de dificuldade no violino II. Tive que repassar alguns detalhes, mas acabou dando certo.
Lanche na cantina. O pessoal da orquestra se levantou por conta própria para voltar para a sala no horário combinado! Maravilha. Responsabilidade é isso: fazer as coisas com antecedência para poder fazê-las com calma.
Agora está combinado: vou fechar a porta às 14:30h para o ensaio da orquestra. A turma tem que chegar antes, para afinar e aquecer. Ponto.
Como de hábito nos ensaios gerais, o coro estava muito longe de mim, e o equilíbrio ficou muito ruim, com o som do coro muito escondido pela orquestra. Quando ensaiar com a orquestra, o coro tem que ficar o mais próximo possível. Não mudei a posição das pessoas na hora para não bagunçar muito a arrumação prévia da orquestra. Má escolha. Nos ensaios gerais a orquestra tem que ficar bem apertada na frente, com o coro "colado" nela.
UM POUCO DE FÍSICA: A potência sonora cai na razão inversa do QUADRADO da distância, ou seja, a 2m, a potência é dividida por 2 ao quadrado (4), a 4m a potência é dividida por 4 ao quadrado (4x4=16). Como o coro estava a uns 5 ou 6m de distância, a potência estava caindo entre 25, e 36 vezes! Isso significa um som com entre 4 e 3% do original! É muito pouco, tem algum erro aí. Vamos pesquisar...
Pesquisei. Até onde entendi, os dados acima parecem certos, mas se referem à pressão sonora, e não à maneira como o ouvido funciona. Como a percepção do nosso não é linear, mas logarítmica, quando a pressão sonora cai, por exemplo, 25 vezes, a nossa percepção é de que o som diminuiu para uns 70% do original. Agora achei muito. Tenho que pesquisar mais. Alguém me ajuda? FIM DA FÍSICA POR HOJE.
Enfim, o som do coro fica muito baixo quando ele fica muito longe... No ensaio de hoje, ficou. A sensação é muito ruim, como se o pessoal não estivesse cantando para valer. Calando a orquestra, deu para perceber que o coro estava cantando direito, com uma potência razoável. Para equilibrar, e mal, a orquestra teve que tocar muito de leve. Ficou horrível. Melhor mudar as posições, como eu disse acima.
No Hosanna, apareceu de novo o problema de "sincronia" na hora da entrada do contralto.
Testei só com o coro: funcionou.
Testei só com a orquestra: funcionou
Testei com todos juntos: funcionou...
Moral da história? Quando o problema é simples falta de atenção e eles são chamados à responsabilidade, eles se concentram.
Nos solos do Agnus Dei, também tivemos problemas de sincronia. A orquestra corre um pouco nas pausas e nas semicolcheias. Músicos jovens odeiam pausas e adoram notas repetidas. Ah, a ansiedade da adolescência....
Repassamos. Funcionou melhor. Mas fizemos isso apenas uma vez. É insuficiente. Porque não repeti mais vezes? Para não estragar o clima, que estava bom. Com certeza iria encher a paciência dos cantores, que estavam apenas assistindo às correções na orquestra.
Teria valido a pena? Não sei. Quando estamos no limite da capacidade dos músicos, uma pequena melhora exige um enorme trabalho. Poderia ter insistido mais um pouco. Com isso, mesmo que o trecho não ficasse perfeito, a orquestra ficaria um pouco mais próxima do ideal. Eles merecem que eu cobre mais.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Ficando impossível! - 14/02/2008
O Virgílio (do coral) mandou um email engraçado: "Levante da cadeira!". É que ele já havia me pedido uns livros de solfejo emprestado e eu pedi que ele me mandasse um email para me lembrar. Ele mandou um primeiro email, mas como não fui procurar os livros imediatamente, acabei me esquecendo. Quando contei isso para ele, ele disse que ia mandar um segundo email para me lembrar. Foi esse: “levante da cadeira!”. Levantei, encontrei, e ainda gravei um CD com outros livros de solfejo e história da música para ele. Ele mereceu.
No ensaio de hoje passamos os cantos populares de igreja, o Kyrie, Sanctus e Agnus Dei da missa em sol de Schubert, meu Ecce Sacerdos e fim.
Autocrítica: como as músicas já eram conhecidas, eu apenas as "passei", sem exigir dos cantores mais do que cantar tudo “direitinho”. O ensaio ficou morno. Nevermore. Tenho que exigir SEMPRE que a música saia do jeito que eu imagino. Isso sim vai desafiá-los.
Saindo da UCP, encontrei um ex-canarinho que entrou na faculdade agora e gostaria de vir para o coral. Excelente. Virá na próxima 3a feira para o ensaio. Trará também umas duas "ex-canarinhas". Acho que podem realmente me ajudar a agilizar a preparação do coral. Vou avaliando junto com o resto dos cantores. No final do semestre fica com a bolsa quem estiver melhor.
DECIDIDO:
1 - A partir da próxima terça (19/2), vamos iniciar os vocalises às 17:50h. Eles NÃO SÃO OBRIGATÓRIOS, mas quem participa aprende a cantar melhor. Quem canta melhor tem melhores chances de subir no ranking do coral.
2 - Justificativas para faltas tem que ser entregues em 2 dias úteis.
REFLEXINHA:
Egoístas,
Quase sempre
Damos nada
Achando que é o suficiente.
Um bom líder
É aquele
Que nos faz dar
O que temos para dar.
Um grande líder
Dá de si
Para termos mais para dar.
Tudo,
Tudo mesmo,
Só damos por amor.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Volta aos ensaios – 13/02/2008
O ensaio da orquestra foi complicado pela falta das partituras (problemas na impressora da mecanografia). As partes chegaram pela metade, no meio do ensaio. O que chegou, funcionou.
O pessoal do coro começou a aparecer na sala de ensaios bem cedo, lá pelas cinco e meia, provavelmente por medo de ficar trancado do lado de fora durante o ensaio. Alguns acabaram ficando. Cumprir horários é questão de respeito ao próximo.
O ensaio foi bom. Sinto que depois que falei sobre as mudanças no esquema de bolsas o pessoal tem se dedicado a tentar fazer as coisas no máximo de sua capacidade. Estão mais atentos na hora de aprender as músicas e mais cuidadosos na impostação. O som estava bonito. Parabéns ao Venilton, também. Ele está fazendo um bom trabalho, e o resultado deve ficar ainda melhor com o pessoal mais atento. Repertório de hoje: O amor de Deus, Sabes Senhor, Glória a Cristo, Panis Angelicus (Franck) e Ave Maria (Schubert).
Dormi cedo e com o coração cheio. Sem versinhos por hoje.
Fim de férias – 12/02/2008
> Copiei uns filmes do Rodolfo. Fui conferir se o "1984" tinha ficado bom e não teve jeito, assisti até o fim. Muito bom. Já havia lido o livro e visto o filme, mas foi em outro tempo. Agora, a realidade assustadora da visão do Orwell é evidente para mim. Um dos maiores feitos do comunismo é conseguir parecer mais limpo do que o nazismo. (*)
> 19.30h, aula de composição para a Patrícia. Sempre me divirto muito. Prato do dia: composição de melodia modal, no modo frígio (já fizemos o dórico), compasso binário, com baixo pedal. Depois de pronta a melodia, fizemos um contraponto usando tensões intervalares crescentes, tudo planejado. Resultado muito bom. A melodia e o contraponto podem ser combinados de diversas maneiras. A composição de 21 compassos pode triplicar de tamanho, ou até mais do que isso, se fragmentarmos o tema e pensarmos em outros recursos musicais, como a orquestração, por exemplo. Foi um bom fim de noite...
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
VERSINHOS DE HOJE:
FIM DE FÉRIAS
Fim de férias
fim de jogo
fim de fun?
Que nada,
começo da vida,
hora de renascer.
Cuidado comigo, agora,
que o novo homem que vem
tem menos medo.
Medo de que?
De fantasmas,ora...
O medo das coisas concretas
é mais seguro manter.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
(*) "1984", de George Orwell. O livro é fácil de encontrar. Leitura obrigatória.
Acabei lembrando de uma historinha. Em 1984 (o ano mesmo) o livro acabou ficando bastante badalado. Uma amiga comprou e, logo que começou a ler, uma surpresa: a data em que o personagem central começa a escrever seu diário era exatamente a data em que ela estava lendo. Eerie.
FELIZ ANO-NOVO - 11/02/2008
Que tal sair cantando
singin' in the rain
nesse sol que só agora deu as caras?
Só agora,
bem na hora das águas de março
afogarem o carnaval...
Ah, se tudo fosse só férias
quem rezaria o terço por ti,
Argentina?
Quem romaria tuas cruzes?
Quem estamparia
a cara sonsa do Che
nas camisas dos adolescentes malcheirosos?
Bem vindo, ano-novo,
os que vão morrer te saúdam, distraídos.
Caminham,
vivos entre as gentes,
esquecidos de morrer.
Morramos então,
hoje,
a nossa cota.
Queira Deus
não seja a última.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Mais Surrealismo
Continuando com o assunto do surrealismo, não dá para esquecer que muita gente continua usando o "método" para escrever. Exemplos próximos de nós são o Arnaldo Antunes, em muitas de suas letras para os Titãs e os Tribalistas, e o Millôr Fernandes em diversos de seus textos publicados recentemente na revista Veja. Vejam os exemplos abaixo.
O pulso (1989)
Marcelo Fromer / Tony Bellotto / Arnaldo Antunes
O pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa
Peste bubonica câncer pneumonia
Raiva rubéola tuberculose anemia
Rancor cisticircose caxumba difteria
Encefalite faringite gripe leucemia
O pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa
Hepatite escarlatina estupidez paralisia
Toxoplasmose sarampo esquizofrenia
Ulcera trombose conqueluche hipocondria
Sífilis ciúmes asma cleptomania
O corpo ainda é pouco
O corpo ainda é pouco
Reumatismo raquitismo cistite disritmia
Hérnia pediculose tétano hipocrisia
Brucelose febre tifóide arteriosclerose miopia catapora culpa cárie cãimbra lepra afasia
O pulso ainda pulsa
O corpo ainda é pouco
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DA PATAFÍSICA À PATAGÔNICA (Millôr, na revista Veja de 21/11/2007)
... sem comer nem dormir durante vários anos, il pensiero vá attraversando uma fase de liberazione daí condizionamenti precedenti ao rischio delle esperimento ideale. Rara é a hora que se passa sem que um sanduíche seja devorado e um padre pedófilo justamente revelado, injustamente denunciado. Os prazeres da vida devem ser apenas laicos, ô meu? Raro é o momento raro. Não, amada, já não bebo. E como é inverno, agosto, gostaria muito de te ver. Olharia, com o mesmo olhar que vi, do alto da torre Eiffel, meu pobre coração francês echo em pedazos e, como sempre, dividiria a noite em duas metades e te daria uma, a de quem parte e reparte fica com a maior parte e você partia. As mulheres sempre partem e nós sempre ficamos porque mesmo partindo em algum lugar ficaremos. Falar no que, no que acabei de ver, ou foi ontem que vi, um avião navegando sereno no fundo do mar e pensei na mãe do pobre militar, e em você sempre na constelação de aquário e mesmo sem licença indo à festa cheia de licenciosidades. A meia rota, o pé diminuindo e caindo, neste instante, a cotação da balsa. Eu disse balsa, amiga, e você me joga a bolsa, como se eu fosse um outro, ou outro qualquer. Cáspite, disse então o demiurgo perpretando o décimo milagre. Cuspiu na santa e amanheceu moleque. Tornou a cuspir e anoiteceu com o céu todo estrelado. Que faço então? Mordo e releio tudo de um golpe de olhos. Meu caratê oftalmológico. Genérico. Ganho o concurso, parto veloz, volto sem tardança, ensandecido diante da primeira luz de gás que o acendedor de lampiões acende antigamente. É quando o negro do cesto, ainda meio escravo, canta na rua do subúrbio: "Olha a laranja seleta, olha a boa tangerina!" Cá, pra aqui, do lado de cá, assim, mais, mais um pouquinho, não vê? Oh, pardo de Deus, céu sem nuvens, fumaça de navio, navio com apito de trem lá bem distante no passado antigo. Rastro, a faca de gume santo, amando o fio da navalha, o tipo à toa descarado sem-vergonha e então, no mesmo instante, o galo co‑co‑ro‑có que imita minha avó perfeitamente! Tiro o quê, do maço de cigarro? Um charuto sim, morou? Chorou? A dona chegou pé ante pé, mão ante mão e revelou‑se a outrora que era, tanto que o pai morto levantou‑se e pediu um copo dàgua. Pois me dêem o mundo e eu moverei esta alavanca! Risca o preto que eu faço picadinho branco. Antropófago mesmo era meu tio avô, pai do meu cão, a quem comeu, aquém. Em Havaí, onde morei certa tarde de verão, costumam os dias ser pontilhados de antigos bombardeios japoneses. Em Nagasaki, só tinha um avião passando, tão bonito! O que eu digo não se escreve. Se se escrevesse eu mesmo escreveria não estava transubstanciando, dói muito mais em mim. 0 pior de tudo são as manchas azues na consciência. Truco! O resto é silencio, é barulho, bee-bop, hip-hop, é cemitério sepulcral, alucinação tão precoce como a calvície dos recém-nascidos. Lastro, mastro, nastro e grumete, o conteúdo dos navios que naufragam. E nada, nadam, peixe-espada, galo, dourado e namorado. Fica calado agora e apaga a luz, tem alguém batendo na porta: deve ser alguém batendo à porta, fecha os olhos e o meu caixão de sete alças. Pra que não percebam, deixe que meu corpo use teu corpo só mais esta noite. Amanhã, se não chover, sairei de guarda-chuva pra não te molhar. Não quero choro nem vê-la...
e paro aqui pois meus 3.401 toques terminaram.
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Um engraçadinho chegou a criar um programinha de computador para "compor letras Tribalistas". Acho que já tirou do ar. Era engraçado. Ele pedia que você entrasse com alguns dados, como o nome da sua mãe, o nome de uma praia, um "verbo idiota", um verbo em inglês, sua fruta preferida, etc, e dava como resultado uma letra perfeitamente "Tribalista" que usava todos esses dados. Muito bom.
Outros autores que aparentemente usam ou usavam o método são o Paulo Leminski e o Chacal. O primeiro, tadinho, já morreu. O segundo segue vivo e bem. Mantém um blog também: http://chacalog.zip.net/ . Vocês podem achar uma amostra da poesia publicada por ele em http://www.revista.agulha.nom.br/chacal01.html . Gosto desta:
Rápido e Rasteiro (Chacal)
Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.
aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida.
O Leminski vocês encontram aqui: http://www.secrel.com.br/jpoesia/pl.html . Seleção minha:
Incenso Fosse Música (Leminski)
isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai nos levar além
Gosto tanto deste poema que coloquei no meu convite de formatura na faculdade de composição. Leiam o resto. Arte enriquece a vida, a experiência e abre possibilidades. Permitam-se.